Inquérito aponta crimes de apropriação indébita e gestão temerária após desvio de sacas de café de cooperativa em Ibiraci, MG

  • 12/01/2026
(Foto: Reprodução)
Mais de 20 mil sacas de café são desviadas pela Cooperativa dos Cafeicultores de Ibiraci A Polícia Civil concluiu nesta segunda-feira (12) o inquérito que investigou o desaparecimento de mais de 22 mil sacas de café da Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci (Cocapil). Segundo a investigação, os grãos foram desviados, causando um prejuízo estimado em pouco mais de R$ 52 milhões a produtores rurais de Minas Gerais e do interior de São Paulo. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram De acordo com a Polícia Civil, o presidente da cooperativa, Elvis Vilhena Faleiros, foi indiciado e teve a prisão decretada, mas está foragido. O inquérito também apurou a participação de outros dois diretores, mas a Justiça entendeu que, neste momento, apenas a prisão do presidente era cabível. Segundo o delegado responsável pelo caso, Estevan Ferreira, o inquérito foi finalizado com a conclusão de que houve a prática dos crimes de apropriação indébita e gestão temerária de cooperativa. “Nós concluímos o inquérito hoje e concluímos que houve a caracterização do crime de apropriação indébita e de gestão temerária de cooperativa. O que significa dizer, em relação à apropriação indébita, que de forma não autorizada e na condição de depositário das sacas de café dos produtores da cidade, o senhor Elvis e os diretores, cientes disso, se apropriaram desse café”, explicou o delegado. Leia também: Produtor que perdeu R$ 150 mil diz que foi orientado a estocar café de melhor qualidade antes de empresário sumir com sacas Prejuízo estimado por cafeicultores após sumiço de empresário de SP é maior que orçamento de cidade das vítimas Quem é o empresário de SP suspeito de sumir com sacas de café e causar R$ 132 milhões de prejuízo a produtores Inquérito aponta crimes de apropriação indébita e gestão temerária após desvio de sacas de café de cooperativa em Ibiraci Reprodução EPTV O desaparecimento das sacas começou a ser descoberto em agosto do ano passado, quando produtores foram até a cooperativa para retirar os grãos armazenados e constataram que eles não estavam mais nos galpões. Desde então, dezenas de cafeicultores procuraram a polícia para registrar boletins de ocorrência. Entre as vítimas está o produtor rural Éder Valdomiro de Carvalho, que perdeu 260 sacas de café. Segundo ele, o prejuízo chega a cerca de R$ 1,2 milhão. “A gente está falando aí em R$ 1,2 milhão aproximadamente. É um prejuízo muito grande. Meu pai tá doente, teve um AVC há uns dois anos, requer cuidados médicos e é caro. É muito triste porque a gente acreditou nas pessoas”, disse. Outro produtor, Evaldo Luis Vilhena Carvalho, afirma que utilizava os serviços da cooperativa havia cerca de 15 anos e nunca havia enfrentado problemas. Ele relata que só soube da situação quando tentou receber valores e retirar o café armazenado. “Ele falou que era boato apenas, que a cooperativa não estava passando por crise alguma. Depois falou a verdade, que já estava fechando as portas e que o café que estava depositado também teria sido vendido, sem a nossa permissão”, contou. O empresário Elvis Vilhena Faleiros, de Franca (SP), é suspeito de sumir com 21 mil sacas de café que estavam armazenadas nos barracões de cooperativa em Ibiraci (MG) Arquivo pessoal Ao todo, 30 produtores foram ouvidos pela Polícia Civil. As vítimas são de Ibiraci, Cássia, Capetinga e Claraval, no Sul de Minas, além de produtores de Franca e Cristais Paulista, no interior de São Paulo. "A alegação é de que houve travas de preços das sacas de café com algumas pessoas e essas pessoas não teriam honrado com os compromissos. Isso vem se arrastando desde 2021", disse o delegado. O advogado da cooperativa afirma que Elvis não se entregou porque está buscando meios particulares para pagar todos os débitos. Disse ainda que cerca de 170 pessoas entre cooperados e produtores devem ser ressarcidos. "Com a venda dos barracões da Cocapil em uma fazenda no município de Claraval, esses imóveis já estão em negociação efetiva, inclusive foi reportado na última sexta-feira ao Ministério Público e ao Dr. Estevam, que é o delegado que está tendo essa ocorrência, foi feita já a avaliação desses bens, que são mais que suficientes para saudar esses débitos reitero", disse o advogado da cooperativa, Márcio Cunha. O advogado explicou ainda que a cooperativa continua aberta e em funcionamento, mas com a venda dos prédios e barracões ela será extinta. Dia 24 deste mês será feita uma nova assembleia para definir como serão feitos os pagamentos. "Buscando primeiro tentar saudar com a maioria que são poucas sacas, aqueles produtores ou cooperados que têm poucas sacas e escalonando automaticamente para aqueles que têm mais sacas. Mas existe essa previsão", completou o advogado da cooperativa. Cooperados e produtores que tiverem dúvidas podem entrar em contato com a cooperativa pelo telefone (35) 3544-5100. Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas

FONTE: https://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2026/01/12/inquerito-aponta-crimes-de-apropriacao-indebita-e-gestao-temeraria-apos-desvio-de-sacas-de-cafe-de-cooperativa-em-ibiraci-mg.ghtml


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